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Inventariação dos Fachos de Machico

Ficha I - Identificação (40 campos)

1. Domínio
Práticas sociais, rituais e eventos festivos
Práticas sociais, rituais e eventos festivos
2. Categoria
Rituais Colectivos
Rituais Colectivos
3. Denominação📝 Com observações
Festa dos Fachos de Machico
Festa dos Fachos de Machico
🔍 Observação:
Coloca-se para discussão se a designação "Festa dos Fachos de Machico" será aqui a mais adequada a aplicar? A manifestação em análise é um momento simbólico que decorre durante a Festa do Santíssimo Sacramento, pelo que de modo a distinguir esta expressão cultural da festividade que atualmente a enquadra, a denominação a atribuir deve ser mais específica e vir ao encontro do que se pretende inventariar, estando, como evidente, em concordância com o entendimento das comunidades associadas. Nesse sentido, deixa-se como sugestão a designação que também foi assinalada pelo proponente em outras denominações: "Fachos de Machico".
4. Outras denominações
Fachos
Fachos
5. Contexto tipológico📝 Com observações
Movimento popular e espontâneo de organização, ...
Movimento popular e espontâneo de organização, montagem e acendimento, com recurso ao fogo e em pontos estratégicos nas encostas do vale de Machico, de motivos marítimo-religiosos como resquício das vigias militares de facheiros.
🔍 Observação:
Desenvolver um pouco esta caracterização contextual, enumerando possíveis práticas de tipologia semelhante conhecidas na atualidade, sobretudo a nível nacional, e eventuais relações com a manifestação de Machico. No plano internacional temos no processo, por exemplo, notícia de uma expressão análoga na Galiza, a Festa dos Fachós.
6.1 Contexto social📝 Com observações
Sem conteúdo
[Sem conteúdo]
🔍 Observação:
  • Todos os fachos atualmente existentes encontram-se elencados?
  • Devem constar na totalidade ou haver uma justificação sólida caso assim não seja.
  • Sugere-se inserir as seguintes entidades como Grupo associado à manifestação, em vez de Comunidade:
    • Casa do Povo de Machico,
    • Paróquia de Machico,
    • Associação Fachos (colocar designação completa).
  • Foi introduzido na tipologia Indivíduo, o nome de Albino Luís Nunes Viveiros, mas no campo Especificações ou mesmo ao longo do processo não há qualquer indicação que remeta para a menção especial que aqui é feita, pelo que se solicita justificação deste destaque ou retirar referência.
  • No texto Especificações, refere-se ao apoio das entidades governamentais do concelho, pelo que se coloca para ponderação da pertinência em elencá-las individualmente no rol de Grupos associados?
  • No campo Especificações a contextualização dos elementos elencados como Comunidades, Grupos ou Indivíduos deve ser detalhada e individualizada, descrevendo os papeis de intervenção e dinâmicas que cada um desses agentes imprime na manifestação.
6.1.1 Comunidade(s)
— Câmara Municipal de Machico – coordena lice...
— Câmara Municipal de Machico – coordena licenciamento, logística de trânsito e apoios financeiros; presidida por Ricardo Franco — Junta de Freguesia de Machico – comparticipa géneros alimentares e pequenos transportes; presidida por Alberto Olim — Paróquia de Machico (Igreja Matriz de N. S. da Conceição) – define o calendário litúrgico e dá o sinal oficial de acendimento; pároco Cón. Manuel Ramos — Associação Fachos – plataforma criada em 2019 que agrega os grupos, centraliza compras de algodão/óleo e gere patrocínios logísticos — Casa do Povo de Machico – garante cantinas móveis e espaços de reunião; presidida por Manuel Spínola — Bombeiros Municipais de Machico – executam queimadas preventivas e vigiam o fogo; comandados por João Lima — Serviço Municipal de Proteção Civil – articulação técnica (responsável local: Márcio Ferraz, adjunto da autarquia
6.1.2 Grupos
Facho da Banda d'Além - António Viveiros Facho ...
Facho da Banda d'Além - António Viveiros Facho da Pontinha da Serra - Dino Abreu Facho da Ladeira (Caminho das Voltinhas) - João Costa & Magno Gomes Facho da Graça - Mário Franco & Filipe Gouveia Facho da Serra d'Água - Silvério Gouveia Facho da Pontinha - Luís Teixeira & Nélio Faria Pontinha da Vila - Élio Costa (Ass. Apicultores da Madeira) Facho da Misericórdia - Miguel Vieira Facho do Paraíso - Hélder Cristiano & Afonso Abreu Facho do Poço do Gil - Isidro Viveiros Nota 1 – cada grupo integra ainda dezenas de voluntários (famílias, escuteiros, músicos, emigrantes em férias) que não figuram formalmente mas asseguram, em regime de rotatividade, limpeza do terreno, enrolamento das bolas de algodão e guarda do material.
6.1.3 Indivíduo(s)
Albino Nunes Viveiros
Albino Nunes Viveiros
6.2.1 Local
Machico
Machico
6.2.2 Freguesia
Machico
Machico
6.2.3 Município
Machico
Machico
6.2.4 Distrito
Região Autónoma da Madeira
Região Autónoma da Madeira
6.2.5 País
Portugal
Portugal
6.2.6 NUTS II
Região Autónoma da Madeira
Região Autónoma da Madeira
6.2.7 NUTS III
Região Autónoma da Madeira
Região Autónoma da Madeira
6.3.1 Periodicidade📝 Com observações
O evento decorre com a periodicidade anual, bem co...
O evento decorre com a periodicidade anual, bem como pontualmente, noutras situações festivas
🔍 Observação:
Sugestões de alteração: "Datas: Último sábado de agosto"; "Periodicidade: Anual". No campo "Especificações" pode ser referenciado o período que envolve a preparação e montagem das estruturas, assim como o enquadramento do dia primordial da queima dos fachos com o contexto temporal da Festa do Santíssimo Sacramento. O Pedido indica ainda que pontualmente pode ocorrer em outras situações festivas, será assim de elencar quais e quando se realizam, e explorar um pouco mais esta questão no texto de Caracterização Desenvolvida.
6.3.2 Data(s)
Véspera do último domingo de Agosto
Véspera do último domingo de Agosto
7.1 Caracterização síntese📝 Com observações
os Fachios de Machico inscrevem-se hoje na program...
os Fachios de Machico inscrevem-se hoje na programação litúrgica da Festa do Santíssimo Sacramento, celebrada anualmente no último fim-de-semana de agosto sendo uma tradição profundamente enraizada na memória coletiva e tradição etno-religiosa da freguesia.Este evento remonta aos primórdios do sistema de defesa militar da costa madeirense, especificamente nos séculos XVI e XVIII, quando o Arquipélago da Madeira era frequentemente alvo de ataques de corsários e piratas. Inicialmente, os fachos desempenhavam uma função estratégica de defesa, alertando as populações sobre possíveis ataques inimigos por meio de sinais luminosos. Esses sinais eram transmitidos entre diferentes núcleos populacionais e inter-ilhas para anunciar a aproximação de corsários e proteger tanto a população costeira como os lugares de culto objeto de cobiça. Com o declínio da ameaça marítima, o gesto defensivo foi gradualmente ressignificado pela comunidade: o fogo deixou de funcionar como alarme bélico e passou a representar, na noite que antecede a procissão eucarística, uma celebração e preservação da tradição que liga a comunidade local com as suas raízes históricas. O ponto alto ocorre na noite de sábado, pelas 21h30, quando o repique solene dos sinos da igreja matriz e uma salva de foguetes autorizam o acendimento simultâneo dos fachos distribuídos pelas encostas do vale. A execução mantém-se estritamente comunitária. Os diferentes sítios organizam-se entre si, definem os motivos iconográficos — custódias, cruzes, cálices, peixes ou barcos — e há uma mobilização geral dos vizinhos de todas as idades para produzir milhares de bolas de algodão, que depois de embebidas em óleo e dispostas em estruturas metálicas próprias para o efeito, são ateadas, compondo desenhos de fogo; exceção feita ao facho da Ladeira, um facho preparado diretamente no solo do Caminho das Voltinhas com lenha empilhada ao longo da vereda. Vivenciada como ato de fé e afirmação identitária, os Fachos de Machico sintetizam vínculos que atravessam gerações: retoma o impacto visual e acústico dos antigos sinais de alarme, celebra a centralidade do Santíssimo Sacramento na religiosidade local e exalta a vocação atlântica da freguesia através de vários símbolos navais. Desta forma, a manifestação articula, num único momento festivo, a herança histórica do sistema defensivo, a vitalidade da sociabilidade rural-urbana e a mística religiosa que ainda estrutura o calendário cultural de Machico.
🔍 Observação:
-Clarificar o contexto e período em que ocorre a manifestação em apreço, ou seja, a integração desse momento na Festa do Santíssimo Sacramento que decorre durante o último fim de semana de agosto e os fachos nessa noite de sábado. -Sugere-se retirar o último parágrafo deste texto e enquadrá-lo, por exemplo, em Caracterização Desenvolvida.
7.2 Caracterização desenvolvida📝 Com observações
A vigília dos Fachos, realizada ininterruptamente...
A vigília dos Fachos, realizada ininterruptamente na noite de sábado que antecede o Domingo do Santíssimo Sacramento, constitui hoje a expressão mais visível de um sistema de participação comunitária que atravessa toda a freguesia de Machico e que se organiza, de forma autónoma mas articulada, desde a primavera até ao último fim-de-semana de agosto. Logo após a Páscoa, cada sítio convoca os seus membros para escolher o motivo iconográfico que colocará em fogo – custódias e cruzes que reafirmam a centralidade eucarística da festa, peixes e barcos que evocam a condição marítima local, ou ainda variações que comentam acontecimentos da vida da vila. A seleção é interna, informal e quase sempre consensual, pois quem a propõe conhece os limites técnicos do suporte metálico e a lógica “pixelizada” das bolas de algodão impregnadas em óleo que, ao arder, desenham a imagem contra o escuro das encostas. A preparação material inicia-se em maio, quando os responsáveis de cada grupo comunicam à Associação Fachos o inventário de necessidades: algodão industrial usado, barricas de óleo alimentar, rolos de arame, equipamentos de proteção e, se necessário, painéis metálicos para reparar as estruturas fixas. A associação, instância de coordenação criada em 2019 para suprir a incapacidade financeira da paróquia em continuar a centralizar as aquisições, reúne estes pedidos, obtém subsídios camarários e junta-freguesia, negoceia descontos com fornecedores locais e organiza a logística de distribuição. Desse modo, mantém-se a autonomia criativa de cada grupo, mas todas as equipas recebem simultaneamente, em data acordada, o conjunto de materiais indispensáveis à execução. No caso específico da Ladeira, cuja encosta integra o Caminho Real 19, a logística difere: em vez de estruturas metálicas, recolhem-se madeiras ao longo do concelho para criar uma sucessão de pequenas fogueiras, dispostas de metro em metro nos trezentos metros do trilho; a técnica de empilhamento, transmitida por via oral, garante uma progressão regular da chama e confere a este facho um caráter performativo singular. Durante junho e julho, cada grupo trabalha no próprio local do facho, salvo na Pontinha da Vila e na Misericórdia, onde as bolas são enroladas em casas particulares e transportadas mais tarde para a encosta. As sessões noturnas combinam labor manual, convívio e transmissão de saber-fazer: os mais experientes ensinam o aperto do fio, o grau de saturação do algodão, a posição exata de cada bola para que a leitura à distância preserve a nitidez do desenho. Em todos os sítios, a prioridade paralela é a segurança: as equipas do Corpo de Bombeiros Municipais supervisionam as limpezas do mato envolvente, realizam queimadas preventivas e definem corredores de evacuação; a própria topografia obriga a calendários diferentes, já que ambientes mais íngremes ou acessos agrícolas estreitos requerem montagem faseada da estrutura e armazenamento progressivo das bolas. A articulação supra-local faz-se em mesas redondas mensais, onde participam representantes dos grupos, da Câmara Municipal, da Junta de Freguesia, da Casa do Povo, do pároco e do comando dos bombeiros. Aí se confirmam datas, horários, cortes de via, pontos de fornecimento elétrico e distribuição de géneros alimentares, estes últimos financiados por fundos autárquicos e geridos pela Casa do Povo. Cada delegado regressa à sua equipa com o calendário final e com as instruções de segurança que deverão ser escrupulosamente cumpridas. Na prática, contudo, a maior parte das decisões operacionais continua a ser tomada no terreno, onde laços de parentesco e vizinhança definem tarefas, turnos e até a ordem dos acendimentos internos. Na semana da festa, as atividades intensificam-se. As bolas acabam de ser ensopadas em óleo, as estruturas são testadas com pequenas chamas-piloto e concluem-se as cercas protetoras que impedem a aproximação de curiosos nos minutos anteriores ao acendimento. O sábado de vigília começa com visitas de familiares e turistas aos locais de trabalho, oferecimento de alimentos e bênçãos por parte das gerações mais velhas que ainda recordam a origem defensiva dos fachos. Às 21h30, logo após a celebração eucarística na igreja matriz, os sinos tocam em repique e um fogo-de-artifício lança-se sobre a baía: é o sinal que percorre o vale e autoriza o acender simultâneo. Nos fachos de estrutura metálica, tochas preparadas para o efeito ateiam a primeira fila de bolas; no facho da Ladeira, utiliza-se a “guizeta”, galho de cerca de metro e meio com ponta de algodão incandescente, que percorre fogueira a fogueira até que toda a vereda arda em cadência. Durante quarenta minutos, o vale transforma-se numa galeria de fogo vivo. Bombeiros permanecem de vigia, não para extinguir as chamas, mas para prevenir possíveis projeções para a floresta adjacente. Quando as brasas começam a esmorecer, muitos grupos descem ao mar para contemplar as figuras refletidas na água; outros, sobretudo os que operam em cotas altas como o Poço do Gil, demoram-se a assistir ao apagar natural das últimas centelhas. A noite conclui-se no arraial montado no centro de Machico, onde os mesmos voluntários que horas antes penduravam bolas de algodão se reúnem com familiares e visitantes para partilhar comida, música e histórias de edições passadas. A vertente simbólica do fogo encastra-se na liturgia do Santíssimo Sacramento: a vigília de luz interpreta-se como prolongamento do culto eucarístico, enquanto os motivos marítimos reafirmam a inseparabilidade entre fé e subsistência num território historicamente moldado pela pesca e pelo comércio atlântico. Essa dupla ancoragem explica a resistência da prática mesmo em contextos adversos, como a crise de incêndios de 2024, quando a população insistiu na realização do ritual, certa de que os procedimentos de segurança garantiriam a integridade do património natural. O Pico do Facho, topónimo que recorda os velhos fogachos de alarme, continua a dominar o cenário visível da manifestação, e elementos da paisagem – encostas socalcadas, caminhos reais, linha de costa – funcionam simultaneamente como palco e arquivo vivo onde se inscreve a memória da comunidade. Do ponto de vista dos apoios institucionais, a Câmara Municipal assegura verbas para aquisição de materiais combustíveis e equipamentos, a Junta de Freguesia contribui para a alimentação das equipas e para pequenos transportes, a Casa do Povo disponibiliza espaços de reunião e refrigeração de víveres, enquanto o pároco mantém o enquadramento religioso e valida o horário do acendimento. A proteção civil acompanha tecnicamente o processo, autorizando queimadas controladas e revendo planos de emergência. Ainda assim, a execução depende sobretudo dos recursos humanos internos: não há contratação externa, e a divisão de tarefas baseia-se na disponibilidade de cada participante, que, independentemente da idade ou origem social, encontra no facho um lugar para aprender, ensinar e exercer um sentido de pertença comunitária. Em síntese, os Fachos de Machico configuram uma manifestação cultural plenamente viva, cuja continuidade assenta na conjugação entre autonomia criativa dos grupos, coordenação logística de uma associação supra-local e integração ritual no calendário da Festa do Santíssimo Sacramento. A materialidade do fogo, a plasticidade das figuras e o compromisso popular com a preparação e a segurança revelam uma prática em permanente atualização, capaz de articular referências marítimas, devoção cristã e memória histórica num espetáculo que, ao mesmo tempo, inscreve e ilumina a paisagem cultural e natural do vale de Machico.
🔍 Observação:
Neste campo solicita-se que seja feita uma descrição aprofundada da manifestação em análise, de como é planeada, preparada, executada e vivida pelas comunidades, grupos e os participantes, ativos ou assistentes; uma caracterização destes atores e como se articulam para atingir o resultado desejado. Quando ocorre, a que horas, localizações, integração na festividade, como se inicia e finaliza o momento. Como se envolvem e organizam as comunidades associadas e população em geral. Em cada grupo que preparativos se fazem, quando, como, onde, com que meios humanos, materiais ou financeiros. E sendo os Fachos o elemento central da manifestação, dedicar uma atenção especial sobre eles, como são feitos, por quem, quando, com que materiais, técnicas e saberes-fazer envolvidos, motivos e temas, quem os escolhe, quantos são feitos por edição, responsáveis, quando são acesos e até que horas. Desenvolver sobre a forte relação de envolvência com a tradição religiosa ou a condição marítima, presentes de modo tão bem vincado nos motivos simbólicos dos Fachos e no cruzamento com a Festa em que se insere. Especificar se há uma coordenação acima das comunidades na produção da manifestação, se sim quem são esses indivíduos ou grupos e como gerem essa organização. Que tipo de apoios são recebidos para a sua concretização e de quem. Definir melhor os patrimónios culturais e naturais associados. O texto deve ainda providenciar uma contextualização geral da Festa do Santíssimo Sacramento, enquadrando e articulando este momento dos Fachos na programação anual definida para a festividade. Considera-se, pois, que o texto instruído neste campo deve ser revisto e reajustado, focando os conteúdos essencialmente na descrição da expressão cultural no presente, com atenção às observações aqui apresentadas, e deslocando os dados de cariz mais histórico para o campo apropriado ao efeito.
7.3 Manifestações associadas
Sem conteúdo
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8.1 Estado da transmissão
Activo
Activo
8.2 Descrição da transmissão
Transmissão da Manifestação dos Fachos: Um Deta...
Transmissão da Manifestação dos Fachos: Um Detalhe Pormenorizado A transmissão da manifestação dos Fachos na Freguesia de Machico é um intricado processo social que se desenrola através de um conjunto de diversos modos, que combinam, por si só, elementos de aprendizagem formal e informal, oralidade, escrita e mesmo a representação audiovisual. A transmissão tem uma forte componente que deriva do condicionalismo inerente à participação neste certame onde desenvolvem-se inerentemente rituais e liturgias próprias. Estas são resultado das importantes estruturas informais das quais depende este certame, mas principalmente são a pedra basilar à subsistência da transmissão deste património. A transmissão desta manifestação de Património Cultural Imaterial é analisada com maior detalhe nos parágrafos seguintes: 1. Aprendizagem Formal e Informal: A transmissão dos Fachos ocorre de forma híbrida, combinando tanto a aprendizagem formal quanto a informal. A base histórica e os fundamentos da tradição são ensinados formalmente em contextos educacionais, destacando-se em programas escolares e instituições culturais locais. Para o efeito, é comum serem transmitidos conteúdos que promovam a pedagogia cultural local, seja através dos relatos orais, escritos ou pela difusão de documentários e vídeos alusivos ao evento. Há ainda uma segunda dimensão de aprendizagem informal, que é alusiva aos vários grupos que estão, de certa forma, ligados às celebrações, nomeadamente a Banda de Machico, e outros grupos, que, para o efeito, animam a festividade com repertório próprio e referente aos Fachos. Por outro lado, a parte prática e a compreensão mais profunda da manifestação e da sua execução, são transmitidas informalmente, de geração em geração, através da participação ativa nas festividades e do trabalho in loco, aquando os preparos para o dia do acendimento. Aqui, são fundamentais os testemunhos e as narrativas orais dos membros mais antigos da comunidade. 2. Oralidade e Escrita: A tradição dos Fachos é fortemente ancorada na oralidade, com histórias, lendas e técnicas transmitidas de boca em boca. No entanto, a componente escrita e histórica também desempenha um papel crucial na preservação e disseminação da tradição. Manuais, registos históricos e documentação relacionada são utilizados para consolidar a base teórica da manifestação, proporcionando uma complementaridade entre a oralidade e a escrita. 3. Acesso Condicionado: A transmissão da manifestação dos Fachos não é totalmente aberta, apesar deste ser um espectáculo observado e apreciado por milhares de pessoas. O acesso ao conhecimento mais profundo e às práticas específicas muitas vezes está condicionado à participação ativa na comunidade e ao respeito pelas tradições, respeito pelos fachos, respeito pela história. Os segredos e técnicas mais intricadas, a delegação de responsabilidades para tarefas mais exigentes, ocorrem de forma pontual e está reservado aos membros que demonstram um compromisso significativo e respeito pela tradição. 4. Rituais de Passagem: A transmissão dos Fachos está entrelaçada com rituais de passagem na vida dos indivíduos. São também, divididas as tarefas entre as faixas etárias, com os jovens a serem gradualmente integrados nos trabalhos que compõem o Facho. A aprendizagem começa de forma informal na infância, com a participação nas actividades mais ligeiras, com o acompanhar dos mais velhos, e com os testemunhos orais. À medida que os indivíduos crescem e demonstram interesse em participar, recebem tarefas e responsabilidades mais complexas. A participação de longo prazo é significativa na manutenção da comunidade e da transmissão da tradição. 5. Momentos Temporais da Comunidade: A transmissão da manifestação dos Fachos ocorre em momentos temporais específicos, alinhados com as festividades anuais. Os preparativos para a Festa dos Fachos tornam-se assim um período crucial, onde conhecimentos são partilhados e nos quais as práticas são ensinadas. Esta janela temporal é tida no calendário comunitário, que organiza-se e agiliza-se para estar disponível naquela altura. Este organizar espontâneo e expedito é vital para a preservação e continuidade da tradição. 6. Utilização de Lugares e Elementos Culturais: A transmissão dos Fachos frequentemente ocorre em espaços específicos, como os locais de preparação dos fachos (cada grupo tem o seu) e os sítios onde as festividades têm lugar. Assim, esta manifestação abraça o espaço público no seu contexto de transmissão, ainda que seja uma transmissão mais superficial do que aquela que acontece nos espaços onde cada grupo desenvolve o seu facho. Ainda elementos histórico-culturais, de cariz militar, como os edifícios históricos militares e sobretudo as ruínas do Regimento de Facheiros, localizada no Pico do Facho. Os elementos físicos, bem como a toponímia, servem assim como palcos para a transmissão dos fachos e estabelece assim uma ligação entre a prática, a história e a identidade da comunidade. 7. Articulação com Outras Manifestações do Património Imaterial: A transmissão da manifestação dos Fachos está entrelaçada com outras manifestações do património imaterial e decorre de forma esporádica em conjunt com outras festividades, como o Senhor dos Milagres. A conexão simbólica com elementos religiosos, a integração de símbolos cristãos nos fachos e a participação ativa na Festa do Santíssimo Sacramento são exemplos dessa articulação, reforçando os laços entre a manifestação dos Fachos e a riqueza cultural e religiosa da comunidade de Machico. Este intricado processo de transmissão, que abrange diferentes formas de aprendizagem e momentos específicos na vida da comunidade, contribui para a vitalidade e continuidade da tradição dos Fachos na Freguesia de Machico.
8.3 Modo(s) da transmissão
Oral Escrita
Oral Escrita
8.4 Agente(s) da transmissão
Os agentes de transmissão da manifestação cultu...
Os agentes de transmissão da manifestação cultural dos Fachos na Freguesia de Machico são diversos e desempenham papéis fundamentais na preservação e continuidade da tradição. Aqui estão alguns dos principais agentes envolvidos: Comunidade Local: Indivíduos Mais Velhos: Membros mais antigos da comunidade desempenham um papel crucial na transmissão oral das histórias, lendas e técnicas associadas aos Fachos. São detentores do conhecimento tradicional e têm a responsabilidade de compartilhá-lo com as gerações mais jovens. Participantes Ativos: Aqueles que estão ativamente envolvidos na preparação e execução dos Fachos desempenham um papel de transmissão prática. A aprendizagem ocorre através da participação ativa em todas as fases da festividade, desde a construção dos fachos até a sua queima durante a celebração. Instituições Educativas e Culturais: Escolas Locais: As escolas desempenham um papel na transmissão formal da história e significado dos Fachos. Elementos relacionados aos Fachos podem ser incorporados nos currículos escolares, introduzindo as crianças à tradição desde tenra idade. Instituições Culturais: Museus, centros culturais e organizações dedicadas à preservação do patrimônio desempenham um papel na documentação e exposição de elementos relacionados aos Fachos. Essas instituições contribuem para a consolidação do conhecimento histórico associado à manifestação. Líderes Religiosos: Párocos e Religiosos Locais: Dada a conexão simbólica e religiosa dos Fachos, líderes religiosos têm um papel na transmissão dos aspectos relacionados à celebração religiosa. Eles podem fornecer insights sobre a integração dos Fachos com eventos religiosos e rituais. Grupos Familiares: Transmissão Intergeracional: A transmissão da tradição muitas vezes ocorre dentro das unidades familiares. Os membros mais jovens aprendem com seus pais, avós e outros membros da família, garantindo uma continuidade direta entre as gerações. Agentes de Revitalização: Figuras-Chave na Comunidade: Indivíduos dedicados à revitalização da tradição, como o ex-pároco Pe. António Martinho mencionado no texto, desempenham um papel vital. Eles podem liderar esforços para revitalizar a tradição durante períodos de declínio, mobilizando a comunidade para preservar seus costumes. Voluntários e Organizadores de Eventos: Participação Ativa: Voluntários e organizadores de eventos desempenham um papel crucial na organização das festividades dos Fachos. Eles fornecem oportunidades práticas para os participantes aprenderem e praticarem as tradições, ao mesmo tempo em que contribuem para a gestão e promoção da manifestação. A colaboração entre esses agentes, combinando a transmissão formal e informal, oralidade e escrita, contribui para a transmissão holística da manifestação cultural dos Fachos na Freguesia de Machico.
8.5 Idioma da transmissão
Português
Português
9. Origem/historial📝 Com observações
Os Fachos, são um ato de significado relevante na...
Os Fachos, são um ato de significado relevante na memória coletiva machiquense e madeirense, sendo uma tradição actualmente de carácter etnoreligioso e objecto da análise que se segue. Esta tradição dos fachos, a ser profundamente abordada no presente exercício é um resquício dos primórdios do sistema de defesa militar da costa madeirense e das suas populações. Hoje reflectir sobre esta antiga estratégia de defesa é deambular por um retalho do património cultural perpetuado anualmente pelas gentes da Freguesia de Machico, no reviver de uma das tradições “etno-religiosas” locais com mais de um século, os fachos. É nossa pretensão historiar os fachos numa perspectiva patrimonial, enquanto elemento de significado religioso para a população local, paralelamente, ao facto de assumir uma vertente etnográfica da tradição enraizada na cultura local junto dos forasteiros. Procuraremos realizar um estudo capaz de construir pontes entre o local e o global. - Da Estratégia De Defesa À Tradição Popular O Arquipélago da Madeira durante os séculos XVII e XVIII foi alvo preferencial de ataques e pilhagens protagonizadas por parte de corsários e piratas, pois, os núcleos populacionais, especialmente os localizados junto à orla marítima, a par das embarcações que navegavam ao largo da Madeira e que com a ilha mantinham relações comerciais, eram um atractivo para o exercício da pilhagem. Dos inúmeros ataques ficaram célebres, os desencadeados pelos franceses em 1566 ao Funchal, e o dos argelinos, em 1616 à Ilha do Porto Santo. A ameaça permanente de pilhagens fez emergir no seio das comunidades, a necessidade urgente de planear e executar estratégias de alarme e defesa da costa, das populações e seus bens. No contexto militar, o primeiro sistema de alarme e defesa no Arquipélago da Madeira foi os fachos. Uma estratégia de defesa utilizada entre os séculos XVI e XVIII. Nos inícios do séc. XIX, apesar da Madeira se encontrar sob a ocupação inglesa, o sistema primitivo de defesa implementado na Madeira, ainda era utilizado pelas gentes locais. Os fachos desempenhavam uma dupla função: a de defesa e comunicação entre os diferentes núcleos populacionais e inter-ilhas (Madeira e Porto Santo). Os sinais luminosos eram aviso às populações e àqueles que tinham por missão a defesa do território e das suas gentes. O Pico do Facho em Machico, topónimo herdado do facho que outrora ali se acendera, era ponto de comunicação com os picos da Ilha do Porto Santo – Pico do Facho e Pico do Facho da Malhada e ainda, com as Ilhas Desertas que conserva o topónimo Ilha do Facho. O facho de Machico também estabelecia um canal de comunicação com o facho do Pico do Telégrafo na Freguesia do Caniço. Os fachos enquanto sistema de alerta e defesa das populações não foram artefactos exclusivos do Arquipélago da Madeira, encontramos referências a esta estratégia militar no Norte Litoral de Portugal. Neste quadro geográfico de referência acerca da existência dos fachos, podemos enunciar a Torre das Colmeias na Fervença e a Torre entre Ponte da Barca e S. Gião. Mas, a utilização do facho enquanto sistema de apoio à navegação remonta ao tempo da ocupação romana . Em tempos históricos, em pontos estratégicos das margens da costa nortenha portuguesa acendiam-se no alto das torres os fachos que serviam de apoio à navegação, que simultaneamente eram postos de observação e vigilância. No séc. XIX, ao longo da Província do Minho, os fachos eram denominados por “fachos da borda mar”. No território insular português, os fachos também foram perpetuados na toponímia local, referência para a Ilha Terceira no Arquipélago dos Açores. Em matéria de defesa, a costa Sul da Madeira foi dotada do sistema de vigias que tinham por missão a defesa das populações costeiras, enquanto que foi definido para toda a ilha, um sistema de comunicação por sinais luminosos entre si, e ao longo da orla costeira como refere João Adriano Ribeiro. Este investigador apresenta um possível mapa de comunicação entre os fachos espalhados pela ilha. O facho de Machico comunicava com um outro que estava estabelecido em S. Jorge; outro nos Lamaceiros no Porto Moniz; o da Ponta do Pargo era precedido do facho da Calheta e ainda, um outro nas proximidades do Cabo Girão, no Pico do Facho, Concelho de Câmara de Lobos. Curiosamente, encontramos nas Achadas da Cruz, Concelho do Porto Moniz, o topónimo Cabeço do Facho. Há registo da existência de um posto de vigia na Deserta Grande criado no início do séc. XVII. Esta estrutura militar era suporte de apoio a um canal tripartido de comunicação estabelecido entre Machico, Porto Santo e Ilhas Desertas. A 16 de Abril de 1567 entrou em vigor o Regimento das Vigias decretado pela Rainha-Avó D. Catarina que governava o Reino durante a menoridade do Rei D. Sebastião. Uma medida régia que originou primeiramente, a instalação de vigias na Capitania de Machico, atendendo a que a vila era mais vulnerável a ataques de piratas e corsários. O Regimento das Vigias determinava que o trabalho de coordenação da defesa era atribuído aos oficiais do concelho e ao capitão. Era este oficial que determinaria os lugares das vigias e escolheria os respectivos homens. As vigias seriam feitas em turnos diurnos e nocturnos. Ao turno diurno corresponderia dois homens; um desde o amanhecer até ao meio-dia e o outro, desde essa hora até ao anoitecer, enquanto que, a vigia da noite era feita com três homens. De dia, o alarme às populações seria comunicado por meio de sinais de fumo ou através de fachos, à noite haveria sempre um arcabuz “ao menos sevado he prestes com fogo aceso” pronto a sinalizar o perigo na costa. A vigilância dos mares e da costa do Arquipélago da Madeira constituía um serviço cívico e de vital importância para a segurança e bem-estar das populações. Assim, os homens eram chamados a participar em missões de defesa, hierarquicamente subordinados aos capitães das companhias de ordenanças das diversas localidades, conforme alvará de 1569 promulgado por D. Sebastião, que estabelecia a obrigatoriedade de que ninguém ficasse isento desse serviço. As vigias eram “estações militares e simultaneamente fiscais, que vigiavam o mar, as costas e praias, afim de darem alarme de corsários ou de quaisquer outros navios inimigos, e evitar contrabandos. As vigias eram feitas pelos povos, em pequenas casas fortes, de preposito construídas para resistir ao mar, e evitar surprêsas”. Os homens destacados em missão nas vigias eram apelidados de facheiros ou vigias, porque alguns locais daquelas vigias se designavam por fachos. Curiosamente foi no domínio filipino que foi criado o cargo de Facheiro de Machico. Aos facheiros cabia a responsabilidade de ter lenha e pinhas na coroa do pico, afim de atear-lhe fogo à noite alertando as populações de que “velas inimigas estavam à vista” e depois convocando por toques de sino e búzios os demais, exigindo-se a todos que pegassem em armas ou se colocassem em fuga, conforma a situação de cada povoado. As vigias também eram designadas por fachos, quando instaladas em pontos elevados da orla marítima ou do interior, e cujo aviso era dado às populações por meio de fachos. Os Anais do Município do Porto Santo referem que no Pico do Facho daquela ilha, estava um homem para dar sinal por meio de ramos durante o dia, e de noite para sinalizar através dos aludidos fachos. A Freguesia de Machico conserva o testemunho arquitectónico de uma antiga vigia localizada no Pico do Facho datada do séc. XVII/XVIII. Actualmente, consequência da incúria dos homens e ausência de um plano de salvaguarda dos resquícios do património arquitectónico militar dos primórdios do povoamento das ilhas, a vigia é uma infra-estrutura de apoio às telecomunicações. A vigia do Pico do Facho é um pequeno edifício de arquitectura militar, de planta circular construída em pedra basáltica e coberta por uma cúpula em alvenaria. Apresenta uma porta elevada em cantaria voltada para sul com vista privilegiada sobre o Oceano Atlântico e para as ilhas vizinhas de Porto Santo e Desertas, e uma janela com moldura de cantaria vermelha. - Os Fachos Na Vivência Religiosa E Etnográfica Da Comunidade Machiquense As estratégias de defesa militar do Arquipélago da Madeira evoluíram e com elas, os fachos perderam a sua função primária, a defesa da costa e das gentes da ilha. Para uma leitura diacrónica dos acontecimentos que historiam a tradição dos fachos, é de todo o interesse revisitar a história e alguns momentos passados da tradição. Carlos Cristóvão define os fachos como uma “espécie de fogueiras feitas com pinhas, que tiveram origem no tempo das pilhagens dos corsários e que o povo, na sua simplicidade espontânea, acendia e continua a acender, mas em menor quantidade, na Festa do Santíssimo Sacramento em Machico, para homenagear o Redentor”. No início do séc. XX, algumas solenidades religiosas celebradas em Machico eram ornamentadas com os fachos. Em Agosto de 1903 e 1905, a Festa do Santíssimo Sacramento foi abrilhantada à noite com os fachos. Eles eram concebidos com lenha e pinhas, atendendo a que originariamente era com lenha que o fogo era ateado, alertando as populações para o perigo eminente. No ano de 1904 a mesma ornamentação foi dada à festividade de São Roque. Os fachos eram “…constituídos por montinhos de pinhas crepitantes, em que as raparigas andaram em longa faina pela serra para as poderem reunir. Antigamente, as capas da cebola pelas encostas, transluzia na noite da véspera, contando uma torcida de estopa embebida na minguada concha de azeite. E o vale tremia todo em cintilações e espasmos de luz, em labaredas reinosas num aspecto deslumbrante”. A tradição dos fachos é uma vivência comunitária profundamente enraizada na cultura popular das gentes da Freguesia de Machico e única na Madeira. Na obra Ilhas de Zargo este retalho da tradição é descrito do seguinte modo: “Consta de fogueiras, queima de pinhas e toros regados de petróleo, que o povo vai buscar à serra dias antes da festa. Para isso reúne-se ao toque de búzios, partindo de noite em romaria e regressando numa enorme bicha, ao som de toques e descantes, as pinhas dentro de sacos, toros velhos às costas e feixes de ramagens secas à cabeça. A queima faz-se na véspera, ao anoitecer, nas encostas sobranceiras à vila, dispostos aos fogachos em figuras alegóricas, letras, nomes e desenhos alusivos à festa”. A tradição dos fachos é uma das vivências etno-religiosas com maior significado simbólico para as gentes de Machico. - Um acto de identidade cultural e afirmação da alteridade sociocultural do povo perante os outros. A reprodução cíclica da tradição dos fachos conheceu na década de 60/70 do séc. XX, um período marcado pela decadência da vivência comunitária da tradição provocada pela divisão da Freguesia de Machico em paróquias. De acordo com a história oral, só o Sítio da Misericórdia é que manteve a tradição viva. Do processo divisório resultou na década de 60 as paróquias da Ribeira Seca (1961/64), a do Piquinho (1962/67) e a das Preces (1964/68). Uma nova realidade da administração diocesana marcada por razões de expansão dos núcleos populacionais e com estas, as necessidades religiosas, os fenómenos geográficos e meteorológicos (aluviões) e meios de comunicação. Hoje a tradição é vivida apenas pela população afecta à Paróquia de Machico. É na pessoa do seu ex-pároco, Pe. António Martinho, o principal impulsionador do renascer da tradição dos fachos em Machico que continua a adoptar um papel preponderante na dinâmica sociocultural, que a população local ganhou no acto revitalizador da tradição. É na noite da vigília da Festa do Santíssimo Sacramento celebrada no último Domingo de Agosto, que os fachos iluminam as encostas do Vale de Machico. Um espectáculo de luz repleto de criatividade, humanismo e de um profundo sentimento de religiosidade manifestado desde os primórdios da tradição, que nos dias de hoje ainda mantém essa identidade. As estruturas que corporizam as figuras alegóricas continuam a ser (re)construídas com varas de madeira que alguns dias antes da queima dos fachos, um grupo de jovens e adultos vão buscar à serra. Em alguns sítios da Freguesia de Machico esta prática ritual começou a dar sinais de inovação, um processo marcado pela substituição das ditas estruturas de madeira por metálicas que permanecem inalteráveis ano após ano. Esta mudança favorece o trabalho voluntário, havendo apenas que criar um perímetro de segurança em torno do facho, por forma, a evitar possíveis focos de incêndio em mato. A tradição dos fachos repete-se ciclicamente com as gentes dos Sítios da Graça, Misericórdia, Banda d’ Além, Pé da Ladeira, Pontinha, Paraíso, Poço do Gil e da Serra d’ Água a investirem a sua mestria e criatividade com o intuito de aperfeiçoar o facho do respectivo sítio. Um acto marcado de forma discreta pela competição sadia na comunidade local e pela preservação da identidade cultural. A este propósito de referir, que o facho do Sítio do Piquinho é excepção à tradição centenária, pois, este é alimentado através do sistema eléctrico. Os fachos são concebidos com o recurso a materiais como: arame, pregos, óleo queimado e bolas de algodão (desperdício). Estes dois últimos elementos são adquiridos pela paróquia junto de empresas regionais e distribuídos aos grupos, segundo as necessidades do facho de cada sítio. A Casa do Povo local apoia esta tradição religiosa e etnográfica com a promoção de um convívio para todos os indivíduos envolvidos na dinamização dos fachos. O espectáculo de fogo e imagem produzido pelos fachos resulta da combinação das bolas de algodão que são embebidas no óleo queimado e presas com arame à estrutura previamente preparada. Estas bolas são colocadas habilidosamente de forma equidistante e simétrica; uma perícia que proporcionará um belíssimo espectáculo. De acordo com dados disponibilizados pela paróquia, em 2007 foram acesos cerca de nove mil bolas. O Sábado é o dia da celebração daquela que é uma tradição centenária. É grande a azáfama nos diferentes sítios. As encostas do Vale de Machico é como que invadidas pelas gentes num labor incansável, lançam-se foguetes desde a manhã até o entardecer, mas, um dos momentos mais festivos do dia, é às 12h com o lançamento de uma salva de foguetes. No berço da freguesia soa o toque do búzio junto ao facho, como que um ritual sagrado que recorda outros tempos em que o som saído do búzio era o alerta às populações dos eminentes ataques corsários. O búzio que outrora foi instrumento de comunicação, hoje assume um papel simbólico na revitalização da tradição e é um dos adereços etnográficos do Grupo de Folclore de Machico. A aproximação da hora de acender dos fachos congrega milhares de pessoas, locais e forasteiros, que nesta noite invadem os espaços públicos do centro e periferia da Cidade de Machico para assistirem a uma tradição singular na região.Os homens distribuídos estrategicamente pela estrutura do facho acendem-no pelas 21h, respeitando a tradição que uma vez mais, se empenharam no reviver este ritual etnográfico e religioso. Depois eles rapidamente descem das encostas guiados por tochas com o objectivo de observarem a queima dos fachos. Os fachos queimam durante cerca de trinta minutos, sensivelmente, logo vão-se apagando espontaneamente como que morrendo, para ciclicamente voltarem a nascer. Depois, segue-se a missa da vigília da Festa do Santíssimo Sacramento na Igreja Matriz de Machico. - Possíveis Leituras Da Tradição Dos Fachos. A Tradição Entre O Local E O Global Os fachos corporizam ícones religiosos como a custódia, cruzes, o cálice, peixes, barcos (caravela e a traineira) e outros objectos mutáveis no tempo, mas com uma identidade associada aos hábitos e costumes da antiga Vila de Machico. O antigo caminho vizinhal entre o Miradouro Francisco Álvares de Nóbrega e o Sítio do Pé da Ladeira também é ornamentado com os fachos. Importa documentar que parte do Caminho do Leiria, entre o estaleiro e o cais era “ornamentado” a preceito da tradição, de forma a acompanhar os outros fachos. A tradição em estudo sugere duas possíveis leituras. Uma leitura com uma forte conectividade religiosa, pois, os objectos cristãos assumem uma forte posição na reprodução comunitária da tradição que desde sempre, esteve associada à vivência cristã. Recorde-se que os fachos foram adorno de algumas festividades religiosas no início do séc. XX. Os fachos poderão ser interpretados como forma de Acção de Graças ou será um antigo acto de agradecimento que foi conquistando um espaço na memória colectiva e transposto para a vida religiosa local? O empenho da paróquia local no apoio à dinamização da tradição dos fachos poderá motivar uma maior incidência para esta leitura. Uma outra leitura é sugerida pela relação de cumplicidade que as gentes da Freguesia de Machico têm com o mar. Uma relação testemunhada pelas gentes daquela que foi uma vila piscatória com raízes na indústria naval, testemunho desta actividade era o antigo estaleiro. Os símbolos religiosos de que a tradição dos fachos se reveste têm uma dimensão social relevante. As cruzes, ícones religiosos são símbolos enriquecidos pela tradição cristã, eles simbolizam o Cristo Crucificado. A barca que ganha uma dimensão globalizante suscita outras leituras. Uma associada à vida socioeconómica da comunidade local, a faina; e uma outra leitura de cariz religioso. A barca simbolismo da viagem, da travessia ou da vida terrena dos cristãos ou até mesmo, a barca de Pedro. O elemento central do facho é o fogo. Ele simboliza o espírito divino, a purificação. O fogo é sinal de presença e acção do Criador, é expressão da santidade e da transcendência divina. O elemento fogo expressa vida e luz em oposição às trevas. Os peixes outro elemento caracterizador das figuras alegóricas corporizadas nos fachos. Eles simbolizam a figura de Cristo para os primeiros cristãos. Será a representatividade do milagre da multiplicação do pão e dos peixes ou o milagre operado no lago onde Pedro e os companheiros pescavam? Facto é que, a tradição dos fachos não é um ritual comunitário circunscrito ao espaço geográfico da Freguesia de Machico. Na Galiza a “Festa dos Fachós” é uma expressão cultural comunitária. Em terras galegas a celebração dos fachos assume um ritual distinto daquele que anualmente tem lugar em Machico. No Concello Castro Caldelas a “Festa dos Fachós” acontece em Janeiro com a população local a carregar pela mão, um facho acesso (um grande feixe de palha, à semelhança de uma tocha) que à noite, os habitantes da vila percorrem em procissão pelas ruas. Um ritual que culmina no adro da igreja com a união de todos os fachos, originando uma grande fogueira em redor da qual, jovens e velhos dançam até de madrugada. Um acontecimento marcado pela música e pelas manifestações de alegria. As origens desta celebração galega são desconhecidas. Há teorias que a associam à tradição cristã nomeadamente, com a busca do corpo do mártir São Sebastião, pois esta tradição também é chamada de Festa de San Sebastián. Uma outra teoria coloca este ritual cíclico em acontecimentos da vida social da vila galega. A mesma tradição galega, a “Festa dos Fachós” é celebrada no Concello Redondela. Nesta localidade a explicação para a manutenção destas práticas comunitárias aproxima-a de uma componente reivindicativa para a defesa do património natural local. O certo é que a celebração da “Festa dos Fachós” está documentada desde meados do séc. XVIII. - A Tradição, Um Recurso Turístico-Cultural Na nossa perspectiva o desenvolvimento cultural de uma comunidade tem que estar sustentado nas sinergias do local. Os fachos na Freguesia de Machico são um recurso cultural e patrimonial que tem um percurso enquanto tradição fortemente enraizada na memória colectiva das gentes de Machico. As instituições com responsabilidades directa nas políticas de desenvolvimento, têm que abrir um canal de promoção que resgate a tradição dos fachos, pois, pensamos que ela é um possível cartaz turístico-cultural do concelho. A aliança entre a identidade comunitária e o património cultural é uma simbiose estruturante para a sustentabilidade de novos projectos no domínio do turismo cultural e religioso, uma modalidade com fortes potencialidades de crescimento e conquista de um espaço próprio na política turística regional.
🔍 Observação:
Contextualizar mais aprofundadamente em termos históricos a relação da prática dos fachos com a Festa do Santíssimo Sacramento, quando a ela se associou, por que motivos, se houve interregnos temporais, indicá-los e justificá-los. Descrever o período de decadência e revitalização da tradição, apontada entre as décadas de 1960-70, explorando a questão da divisão das paróquias, quais na altura mantiveram a prática e quais não, quais retomaram, como e quando, o papel de relevância do padre António Martinho. O texto menciona o facho do Sítio do Piquinho, como sendo alimentado através de sistema elétrico, contudo este não surge elencado na lista em Contexto Social. Reforçar que todos os fachos atualmente ativos devem ser elencados nesse campo. ______________ Quando decorre o convívio promovido pela Casa do Povo? No texto é apresentado o número de fachos acesos em 2007, haverá uma contabilização mais recente? É feito um destaque para a ornamentação no "antigo caminho vizinhal entre o Miradouro Francisco Álvares de Nóbrega e o Sítio do Pé da Ladeira" e no "Caminho do Leiria" por alguma razão especial em relação a outros locais? Havendo alguma particularidade a destacar, sugere-se um enquadramento que explicite a situação. O texto finaliza com a seguinte afirmação: "As instituições com responsabilidade direta nas políticas de desenvolvimento têm que abrir um canal de promoção que resgate a tradição dos fachos". Seria benéfico aprofundar a ideia, cruzando esta necessidade com as medidas de salvaguarda a identificar em campo próprio neste Pedido. O texto apresenta vários elementos, de descrição e interpretação da manifestação ou mesmo de outras de tipologia semelhante, que estariam mais ajustados noutros campos do presente Pedido, como, por exemplo, em Caracterização Desenvolvida ou Contexto Tipológico. Considera-se que o texto instruído neste campo deve ser revisto e reajustado, focando os conteúdos essencialmente na interpretação possível de origem e leitura dos dados históricos até ao momento presente.
10. Bibliografia📝 Com observações
AA.VV. (2005), Inventário do Património Imóvel ...
AA.VV. (2005), Inventário do Património Imóvel do Concelho de Machico, col. «Inventários do Património de Machico», Machico, Câmara Municipal de Machico e ARCHAIS – Associação de Arqueologia e Defesa do Património da Madeira. CARDOSO, Zita (2001), Machico Cidade Histórica, ACAPORAMA – Associação das Casas do Povo da Região Autónoma da Madeira e Casa do Povo de Machico. CRISTOVÃO, Carlos (1989), Elucidário de Machico, Machico, Câmara Municipal de Machico. GHEERBRANT, Alain; Jean Chevalier (1994), Dicionário dos Símbolos, Lisboa, Editorial Teorema. MENESES, Carlos Azevedo; Pe. Fernando Augusto da Silva (1998), Elucidário Madeirense, vol. I e II, Funchal, Secretaria Regional do Turismo e Cultura. PEREIRA, Eduardo C. N. (1989), Ilhas de Zargo, vol. I e II, Funchal, Câmara Municipal do Funchal. RIBEIRO, João Adriano (2001), Machico subsídios para a história do seu concelho, Machico, Câmara Municipal de Machico. SARMENTO, Alberto Artur (1953), «Machico», Freguesias da Madeira, Funchal, Junta Geral do Distrito Autónomo do Funchal, pp. 45-52. VERÍSSIMO, Nelson (2000), Relações de Poder na Sociedade Madeirense no século XVII, col. «História da Madeira», Funchal, Secretaria Regional do Turismo e Cultura. Internet “A Festa dos Fachos” (disponível na Internet em http://www.turismoredondela.es/gal_festas_fachos.php) Arquivo capturado em 01-07-2007 “Os Fachos” (disponível em http://www.castrocaldelas.es/fachos.asp?sub=8) Arquivo capturado em 01-07-2007 “O Significado do Fogo” (disponível em http://www.hermanubis.com.br/artigos/BR/ARBROSSignificadoDoFogo.htm) Arquivado capturado em 01-07-2007
🔍 Observação:

O registo documental é um elemento essencial em processos de submissão de manifestações ao INPCI. A ausência desta documentação, inviabiliza por completo a análise e apreciação do Pedido de Inventariação em questão. Considera-se, assim, imprescindível complementar o processo nas diversas dimensões da caracterização documental, sugerindo os seguintes indicadores:

- Documentação escrita, de fontes históricas e atuais;

- Documentação gráfica, de comunicação, divulgação, etc.;

- Documentação cartográfica;

- Documentação fotográfica dos vários momentos da manifestação, histórica e atual;

- Documentação vídeo dos vários momentos da manifestação;

- Possibilidade de uso de documentação áudio e/ou transcrições escritas;

- Depoimentos ou entrevistas em suporte vídeo, áudio ou transcrição escrita, sobretudo a elementos das comunidades e grupo envolvidos. Será essencial neste domínio colocar os intervenientes em discurso direto, expressando as suas opiniões e pontos de vista. Ter em especial atenção os temas: história e importância da Festa dos Fachos de Machico enquanto reflexo da comunidade em que se insere; aprendizagem e transmissão da tradição e dos principais componentes de referência;

identificação de possíveis riscos e ameaças à continuidade da prática.

- Outras documentações, em que se inclui declarações de participação e compromisso das comunidades que elaboram os Fachos com o presente Pedido de Inventariação;

- Reforço da documentação bibliográfica. Por exemplo, no site da Associação é apresentado um texto, da autoria de Albino Luís Nunes Viveiros, "Os fachos, um acto de significado na memória colectiva e tradição etno-religioso em Machico" que não surge nas referências bibliográficas.

- Quando finalizada a seleção destes elementos documentais, deve ser elaborado um documento

com a legendagem dos mesmos, para o que se aconselha a utilização do "Anexo II_Documentação", disponível na plataforma MatrizPCI.

 

- A informação pertinente constante nas duas Fichas de Património associadas ao processo, devem ser incorporadas nos textos a elaborar para os campos respetivos, ou seja Património Cultural Imóvel e Património Natural.

11. Fontes escritas
Sem conteúdo
[Sem conteúdo]
12. Fontes orais
Sem conteúdo
[Sem conteúdo]
13. Fotografia
Sem conteúdo
[Sem conteúdo]
14. Filme
Sem conteúdo
[Sem conteúdo]
15. Som
Sem conteúdo
[Sem conteúdo]
16. Outra documentação
Sem conteúdo
[Sem conteúdo]
17. Tipo de direitos📝 Com observações
 

 
🔍 Observação:

A identificação feita pelo proponente não corresponde ao solicitado neste campo de preenchimento.

Os direitos aqui questionados são os que diretamente se encontram associados à manifestação em apreço.

- A leitura do Pedido de Inventariação, sugere-nos que esteja presente o direito consuetudinário, relacionado com o transporte da tradição por parte das comunidades envolvidas nesta prática, cujos titulares são precisamente essas mesmas comunidades.

Coloca-se ainda a questão para ponderação se será pertinente nesta manifestação a menção do direito eclesiástico, justificado pela relação com a Paróquia local e possível uso de elementos de pertença seus?

18. Detentor
Sem conteúdo
[Sem conteúdo]
19.1 Património Cultural Móvel📝 Com observações
Sem conteúdo
[Sem conteúdo]
🔍 Observação:

Os campos Património Cultural e Património Natural não se encontram devidamente preenchidos, ficando por justificar a caracterização da relação desta manifestação com os patrimónios associados.

O Pedido apresenta em ambos casos textos estruturados por breves pontos temáticos, alguns deles de teor distinto do solicitado, sem uma identificação e descrição evidente dos elementos de património associados, e mesmo até com alguma indefinição ou confusão de conceitos na relação elaborada.

Sugere-se, assim, uma reformulação dos conteúdos presentes nestes campos de preenchimento, de acordo com o seguinte:

 

 
19.2 Imóvel📝 Com observações
PROC/0000000253/IM/001 Vigia do Pico do Facho Patr...
PROC/0000000253/IM/001 Vigia do Pico do Facho Património Imóvel
🔍 Observação:
Património Cultural Móvel e Imóvel. Identificar e descrever os elementos de património móvel e imóvel mais relevantes associados à manifestação, caracterizar a sua relação com a prática dos fachos, e documentar os mesmos por registos de imagem. Verificar se além dos já mencionados haverá outros elementos de relevo a incorporar.
19.3 Imaterial
Património Cultural Imaterial. Identificar, descr...
Património Cultural Imaterial. Identificar, descrever e documentar possíveis patrimónios imateriais relacionados com a manifestação, eventuais práticas e saberes-fazer que lhe estejam diretamente associados.
20. Património Natural📝 Com observações
PROC/0000000253/ES/001 Pico do Facho Património N...
PROC/0000000253/ES/001 Pico do Facho Património Natural
🔍 Observação:
Património Natural. Tal como apontado nos patrimónios acima, será benéfica uma reformulação do texto, aprofundando a caracterização da relação da manifestação com o meio ambiente e recursos naturais, assim como dos elementos patrimoniais associados. Sugere-se uma abordagem mais direta e concisa, prescindindo de algumas afirmações que podem ter uma leitura ambígua.

Ficha II - Entidade (29 campos)

Designação da entidade proponente
ASsociação Fachos - Associação Cultural e Recr...
ASsociação Fachos - Associação Cultural e Recreativa do Facho da Ladeira
NIF da entidade proponente
516002597
516002597
Contactos da entidade proponente
fachodaladeira@gmail.com
fachodaladeira@gmail.com
Morada da entidade proponente
Machico
Machico
Telefone da entidade proponente
Sem conteúdo
[Sem conteúdo]
Email da entidade proponente
Sem conteúdo
[Sem conteúdo]
Website
Sem conteúdo
[Sem conteúdo]
Tipologia da entidade
Associação sem Fins Lucrativos
Associação sem Fins Lucrativos
Concelho
Machico
Machico
Distrito
RAM
RAM
Responsável da entidade proponente
António Costa
António Costa
Cargo/Função
PResidente
PResidente
Habilitações
12º Ano
12º Ano
Caracterização do histórico e das a vidades desenvolvidas pelo proponente, designadamente em matéria de identificação, estudo e documentação da manifestação de PCI:
Sem conteúdo
[Sem conteúdo]
1.1 Caracterização e fundamentação da relevância da manifestação do património cultural imaterial de acordo com, pelo menos, um dos critérios genéricos de apreciação constantes das alíneas a) a h) do ar go 10º do Decreto-Lei nº149/2015, de 15 de junho: a) A Importância da manifestação de património cultural imaterial enquanto reflexo da respe va comunidade ou grupo; b) Os processos sociais e culturais nos quais teve origem e se desenvolveu a manifestação do património cultural imaterial até ao presente; c) As dinâmicas de que são objeto a manifestação do património cultural imaterial na contemporaneidade; d) Os modos em que se processa a transmissão da manifestação do património cultural imaterial; e) As ameaças e os riscos susce veis de comprometer a viabilidade futura da manifestação do património cultural imaterial; f) As medidas de salvaguarda propostas para assegurar a valorização e a viabilidade futura da manifestação do património cultural imaterial; g) O respeito pelos direitos, liberdades e garan as e a compa bilidade com o direito internacional em matéria de defesa dos direitos humanos; h) A ar culação com as exigências de desenvolvimento sustentável e de respeito mútuo entre comunidades, grupos e indivíduos;📝 Com observações
a) Importância da Manifestação do Património C...
a) Importância da Manifestação do Património Cultural Imaterial: Os Fachos representam um reflexo profundo da comunidade de Machico, sendo uma manifestação enraizada nas necessidades históricas e estratégias de defesa da região. Além de sua origem militar, a evolução dos Fachos para uma expressão cultural e religiosa destaca a capacidade da comunidade em adaptar e preservar sua identidade ao longo do tempo. b) Contextos Sociais e Culturais da Produção, Reprodução e Acesso: A produção dos Fachos está intrinsecamente ligada aos contextos sociais e culturais da comunidade de Machico. Os fachos são elaborados anualmente como parte da Festa dos Fachos, refletindo a rica história e identidade da região. O acesso à manifestação é condicionado à participação ativa na comunidade e ao respeito pelas tradições, garantindo uma representatividade autêntica. c) Produção e Reprodução Efetiva no Âmbito da Comunidade: A comunidade de Machico é ativamente envolvida na produção e reprodução dos Fachos. A participação comunitária na preparação dos fachos, a criação de estruturas alegóricas e a queima das bolas de algodão embebidas em óleo demonstram a vitalidade e a continuidade da manifestação dentro da comunidade. d) Transmissão Intergeracional Efetiva: A transmissão intergeracional é uma característica fundamental da tradição dos Fachos. A aprendizagem ocorre desde a infância, com os mais jovens absorvendo conhecimentos através da participação em festividades. A transmissão de conhecimento prático e histórico é realizada pelos mais velhos, garantindo a continuidade da manifestação ao longo das gerações. e) Circunstâncias Suscetíveis de Perigo ou Extinção: O declínio enfrentado nas décadas de 60/70, marcado pela divisão da freguesia e a extinção de alguns fachos, representa uma circunstância suscetível de perigo para a tradição. A conscientização e os esforços da comunidade, no entanto, atuaram como contramedidas, revitalizando a tradição. f) Medidas de Salvaguarda para Continuidade: A tradição dos Fachos é reconhecida como um recurso turístico-cultural potencial, indicando medidas de salvaguarda que visam promover o desenvolvimento cultural da comunidade. A participação ativa da comunidade na preservação da tradição, juntamente com esforços de divulgação e valorização, contribuem para a continuidade da manifestação. g) Respeito pelos Direitos Humanos e Direito Internacional: A manifestação dos Fachos respeita os direitos, liberdades e garantias da comunidade, sendo uma expressão cultural e religiosa livremente praticada. A tradição está alinhada com os princípios de diversidade cultural e é compatível com o direito internacional em matéria de defesa dos direitos humanos. h) Articulação com Desenvolvimento Sustentável e Respeito Mútuo: A tradição dos Fachos está alinhada com as exigências de desenvolvimento sustentável ao ser reconhecida como um recurso turístico-cultural potencial. A sua promoção respeita o equilíbrio entre preservação cultural e as necessidades de desenvolvimento da comunidade, demonstrando um respeito mútuo entre tradição e progresso.
🔍 Observação:
  1. IMPORTÂNCIA DA MANIFESTAÇÃO ENQUANTO REFLEXO DA RESPETIVA COMUNIDADE OU GRUPO

Os conteúdos expostos no presente Pedido de Inventariação exprimem o valor que esta manifestação tem para as comunidades em que se insere, e para os grupos e indivíduos que com ela diretamente se relacionam. Tal como evidenciado pelo proponente, "Os Fachos representam um reflexo profundo da comunidade de Machico, sendo uma manifestação enraizada nas necessidades históricas e estratégias de defesa da região. Além de sua origem militar, a evolução dos Fachos para uma expressão cultural e religiosa destaca a capacidade da comunidade em adaptar e preservar sua identidade ao longo do tempo."

 

  • No entanto, e tal como referido anteriormente será de ter em atenção as observações do n° 4 da Parte I, com uma mais detalhada identificação e caracterização das comunidades, grupos e indivíduos associados, cruzando com as suas interações com a manifestação em análise

  • Sugere-se ainda ter em consideração o referido nas observações do n° 5 da Parte I, com a inclusão de conteúdos documentais (vídeo, áudio ou transcrição escrita), de entrevistas e depoimentos com elementos das comunidades e grupos ativos na Festa dos Fachos de Machico, expressando as suas opiniões e pontos de vista em temas como o percurso histórico, representatividade e reflexo identitário desta manifestação.

  1.  OS PROCESSOS SOCIAIS E CULTURAIS NOS QUAIS TEVE ORIGEM E SE DESENVOLVEU A MANIFESTAÇÃO DO PATRIMÓNIO CULTURAL IMATERIAL ATÉ AO PRESENTE

O Pedido de Inventariação apresenta, de modo sucinto, os processos sociais e culturais de origem da manifestação em apreço e desenvolvidos ao momento presente, porém com uma contextualização insuficiente para a devida compreensão da sua dimensão. Sugere-se, assim, um reforço de conteúdos, tomando em consideração as observações no n° 4 da Parte I deste Parecer, em especial do item "Contexto Social".

  1.  AS DINÂMICAS DE QUE SÃO OBJETO A MANIFESTAÇÃO DO PATRIMÓNIO CULTURAL IMATERIAL NA CONTEMPORANEIDADE

O proponente refere que "A comunidade de Machico é ativamente envolvida na produção e reprodução dos

Fachos. A participação comunitária na preparação dos fachos, a criação de estruturas alegóricas e a queima das bolas de algodão embebidas em óleo demonstram a vitalidade e a continuidade da manifestação dentro da comunidade."

Pelos conteúdos expostos no Pedido de Inventariação, considera-se insuficientemente fundamentado o presente critério. A definição do aqui considerado como comunidades e grupos associados, e a forma como estes participam, individualmente e/ou em conjunto, nas dinâmicas de preparação, produção e reprodução da manifestação são tópicos que merecem uma contextualização mais consistente. Sugere-se, uma vez mais, ter em consideração o referido nas observações dos nº 4 e 5 da Parte I do presente Parecer.

  1.  OS MODOS EM QUE SE PROCESSA A TRANSMISSÃO DA MANIFESTAÇÃO DO PATRIMÓNIO CULTURAL IMATERIAL

Pelos conteúdos expostos compreende-se a dinâmica dos processos de transmissão desta manifestação. Refere o proponente que, "A transmissão intergeracional é uma característica fundamental da tradição dos Fachos. A aprendizagem ocorre desde a infância, com os mais jovens absorvendo conhecimentos através da participação em festividades. A transmissão de conhecimento prático e histórico é realizada pelos mais velhos, garantindo a continuidade da manifestação ao longo das gerações."

Para um melhor enquadramento, tomar em consideração as observações do n° 5 da Parte I do presente Parecer, referentes ao contexto documental associado, nomeadamente com a introdução de conteúdos envolvendo elementos das comunidades, relatando as suas experiências e opiniões sobre questões da aprendizagem e transmissão desta prática.

  1.  AS AMEAÇAS E OS RISCOS SUSCETÍVEIS DE COMPROMETER A VIABILIDADE FUTURA DA MANIFESTAÇÃO DO PATRIMÓNIO CULTURAL IMATERIAL

Pelo exposto no Pedido de Inventariação, considera-se parcialmente fundamentado o presente critério de análise.

O proponente identifica algumas das principais ameaças para a continuidade desta prática e na transmissão dos conhecimentos associados. São oito os riscos elencados e sucintamente explicitados: Mudanças sociais e demográficas; Perda de interesse e participação; Pressões urbanísticas e mudanças no espaço físico; Redução de recursos financeiros; Desinteresse da nova geração; Influências externas e globalização; Falta de documentação e registo; Falta de reconhecimento oficial e proteção.

Uma nota relacionada com o ponto "7. Falta de documentação e registo". No campo Ações de Salvaguarda são referidos dois documentários relevantes produzidos sobre a Festa dos Fachos, pelo que se sugere definir com mais precisão as ausências de registos documentais formais indicadas. Ademais, seria benéfico associar esses dois registos documentais ao processo.

Sugere-se ainda ter em consideração o referido nas observações do n° 5 da Parte I, nomeadamente o reforço dos conteúdos documentais (vídeo, áudio ou transcrição escrita) com elementos da comunidade e outros envolvidos, expressando as suas opiniões e pontos de vista sobre aspetos da manifestação, como a identificação de potenciais riscos à continuidade da prática, e formas possíveis de contrariar tais ameaças.

  1.  AS MEDIDAS DE SALVAGUARDA PROPOSTAS PARA ASSEGURAR A VALORIZAÇÃO E A VIABILIDADE FUTURA DA MANIFESTAÇÃO DO PATRIMÓNIO CULTURAL IMATERIAL

O Pedido de Inventariação apresenta, como medidas de salvaguarda propostas para assegurar a valorização e viabilidade futura da Festa dos Fachos de Machico, algumas iniciativas promovidas no passado e que já quase nenhuma tem continuidade no presente. Tal como referido antes, essas devem ser elencadas no campo

Atividades.

Neste campo em questão, solicita-se que a entidade proponente explicite um plano de salvaguarda para o presente e futuro da manifestação, enumerando e descrevendo um conjunto de medidas concretas a executar pela própria, por outros agentes envolvidos ou em colaboração. Com isso, o proponente irá precisamente ao encontro das palavras finais que deixou no campo sobre os riscos e ameaças, "Para mitigar essas ameaças, é essencial implementar estratégias eficazes de salvaguarda, envolver ativamente as gerações mais jovens, promover a conscientização e o reconhecimento oficial, e adaptar a prática dos Fachos às mudanças sociais e culturais, preservando ao mesmo tempo a sua autenticidade e significado histórico."

Considera-se, assim, que será necessário um reforço das medidas de salvaguarda concretas em torno da manifestação em análise, por forma a contrariar as principais ameaças apontadas. A estruturação e desenvolvimento de um plano de salvaguarda serve de igual modo para fortalecer a manifestação no seu todo, envolvendo a comunidade, grupos e indivíduos relacionados, com o objetivo de preservar a sua continuidade, transmissibilidade e valorização, no presente e futuro. Tais medidas podem ser idealizadas, implementadas e postas em prática pela entidade proponente ou por outros agentes, públicos ou privados, que se encontrem em sintonia com o propósito da manifestação e a sua comunidade.

Consideração Final

 

O presente Pedido de Inventariação introduz um conjunto de informação e reflexões de relevância sobre a manifestação submetida a inventariação, "Festa dos Fachos de Machico", que indiciam a pertinência da mesma no enquadramento do INPCI. No entanto, e tal como se foi dando conta ao longo deste Parecer, o Pedido apresenta, de um modo geral, várias insuficiências que necessitam de ser revistas, clarificadas ou desenvolvidas para que se possa efetuar uma correta apreciação do processo e construção de parecer mais consolidado.

Solicita-se, assim, que sejam tomadas em linha de conta as várias observações e sugestões de aperfeiçoamento enunciadas ao longo do presente Parecer. Será talvez de ter em consideração a possibilidade da entidade proponente recorrer ao apoio de outras entidades locais, que trabalham diretamente com as dimensões do património cultural imaterial, por forma a ajudar a consolidar algumas das questões levantadas.

 
Caracterização da relevância da manifestação do património cultural imaterial na sua relação com demais manifestações de património cultural móvel, imóvel ou imaterial:
A manifestação dos Fachos na Freguesia de Machic...
A manifestação dos Fachos na Freguesia de Machico possui uma relevância distintiva e significativa na sua relação com outras manifestações de património cultural, seja móvel, imóvel ou imaterial. Essa interligação contribui para enriquecer a compreensão da herança cultural da região. Vamos explorar a relevância dessa manifestação em conexão com outras expressões patrimoniais: 1. Relação com Património Cultural Imaterial: Os Fachos, enquanto manifestação cultural imaterial, desempenham um papel vital na preservação da identidade da comunidade de Machico. A tradição não apenas conecta os habitantes com a história militar da região, mas também se entrelaça com elementos religiosos e simbólicos. A incorporação de símbolos religiosos nos fachos cria uma ponte significativa entre o património militar e o cultural, proporcionando uma experiência multifacetada aos participantes e espectadores. 2. Complementaridade com Património Imóvel: A presença de locais históricos como o Pico do Facho, que abrigava o Regimento de Facheiros, destaca a complementaridade dos Fachos com o património imóvel. A ruína da estrutura militar no Pico do Facho serve como uma testemunha visual e material da importância histórica dos fachos como sistema de defesa. Esta complementaridade entre o imaterial (a tradição dos Fachos) e o imóvel (a ruína) proporciona uma narrativa rica e integrada da história local. 3. Integração com Património Móvel: Os Fachos, durante a sua preparação e celebração, frequentemente incorporam elementos móveis, como as estruturas alegóricas e as bolas de algodão embebidas em óleo. Esses elementos móveis não apenas contribuem para a riqueza visual da festividade, mas também simbolizam a adaptabilidade da tradição ao longo do tempo. A interação entre o imaterial e o móvel destaca a dinâmica e a evolução contínua da manifestação cultural. 4. Participação nas Dinâmicas do Património Cultural: A manifestação dos Fachos não existe isoladamente, mas sim participa ativamente nas dinâmicas do património cultural da região. A sua inclusão em competições culturais, produção de documentários e ações educativas demonstra como os Fachos se entrelaçam com esforços mais amplos de preservação e promoção do património cultural local. 5. Conexão com o Património Natural: A realização da Festa dos Fachos em locais específicos, como o Pico do Facho, estabelece uma ligação única entre a manifestação cultural e o património natural. A escolha de lugares específicos para a celebração não apenas ressalta a beleza da paisagem local, mas também fortalece a relação simbólica entre a comunidade e o ambiente que a rodeia. 6. Contribuição para o Turismo Cultural: A manifestação dos Fachos é reconhecida como um recurso turístico-cultural potencial, destacando a sua importância na promoção do desenvolvimento cultural da comunidade. Essa contribuição para o turismo cultural não apenas aumenta a visibilidade da tradição, mas também reforça os laços entre o património cultural e a economia local. A interconexão entre a manifestação dos Fachos e outras expressões de património cultural cria uma tapeçaria rica e intrincada que reflete a diversidade e a vitalidade da herança da Freguesia de Machico. Essa relação complementar e integrada contribui para uma compreensão mais holística e enriquecedora do património cultural da região. 1. Relação com Património Cultural Imaterial: Os Fachos, enquanto manifestação cultural imaterial, desempenham um papel vital na preservação da identidade da comunidade de Machico. A tradição não apenas conecta os habitantes com a história militar da região, mas também se entrelaça com elementos religiosos e simbólicos. A incorporação de símbolos religiosos nos fachos cria uma ponte significativa entre o património militar e o cultural, proporcionando uma experiência multifacetada aos participantes e espectadores. 2. Complementaridade com Património Imóvel: A presença de locais históricos como o Pico do Facho, que abrigava o Regimento de Facheiros, destaca a complementaridade dos Fachos com o património imóvel. A ruína da estrutura militar no Pico do Facho serve como uma testemunha visual e material da importância histórica dos fachos como sistema de defesa. Esta complementaridade entre o imaterial (a tradição dos Fachos) e o imóvel (a ruína) proporciona uma narrativa rica e integrada da história local. 3. Integração com Património Móvel: Os Fachos, durante a sua preparação e celebração, frequentemente incorporam elementos móveis, como as estruturas alegóricas e as bolas de algodão embebidas em óleo. Esses elementos móveis não apenas contribuem para a riqueza visual da festividade, mas também simbolizam a adaptabilidade da tradição ao longo do tempo. A interação entre o imaterial e o móvel destaca a dinâmica e a evolução contínua da manifestação cultural. 4. Participação nas Dinâmicas do Património Cultural: A manifestação dos Fachos não existe isoladamente, mas sim participa ativamente nas dinâmicas do património cultural da região. A sua inclusão em competições culturais, produção de documentários e ações educativas demonstra como os Fachos se entrelaçam com esforços mais amplos de preservação e promoção do património cultural local. 5. Conexão com o Património Natural: A realização da Festa dos Fachos em locais específicos, como o Pico do Facho, estabelece uma ligação única entre a manifestação cultural e o património natural. A escolha de lugares específicos para a celebração não apenas ressalta a beleza da paisagem local, mas também fortalece a relação simbólica entre a comunidade e o ambiente que a rodeia. 6. Contribuição para o Turismo Cultural: A manifestação dos Fachos é reconhecida como um recurso turístico-cultural potencial, destacando a sua importância na promoção do desenvolvimento cultural da comunidade. Essa contribuição para o turismo cultural não apenas aumenta a visibilidade da tradição, mas também reforça os laços entre o património cultural e a economia local. A interconexão entre a manifestação dos Fachos e outras expressões de património cultural cria uma tapeçaria rica e intrincada que reflete a diversidade e a vitalidade da herança da Freguesia de Machico. Essa relação complementar e integrada contribui para uma compreensão mais holística e enriquecedora do património cultural da região.
Caracterização da relevância da manifestação do património cultural imaterial na sua relação com património natural;
A manifestação dos Fachos na Freguesia de Machic...
A manifestação dos Fachos na Freguesia de Machico apresenta uma significativa relevância na sua relação com o património natural. Diversos elementos destacam essa interconexão, destacando-se: 1. Localização em Espaços Naturais: A celebração da Festa dos Fachos muitas vezes ocorre em locais estratégicos que oferecem vistas panorâmicas sobre o ambiente natural circundante. Esses espaços naturais são escolhidos não apenas pela sua beleza, mas também pela sua historicidade e importância na defesa costeira. 2. Incorporação de Elementos Marítimos: A presença de elementos marítimos nos Fachos, como peixes e barcos, destaca a ligação intrínseca da comunidade local com o mar. Esses símbolos não apenas representam a história da pesca e da atividade marítima, mas também simbolizam a dependência da comunidade em relação ao oceano e suas tradições marítimas. 3. Ligação da População à Natureza e Ambiente: A escolha de locais naturais para a realização da Festa dos Fachos enfatiza a ligação profunda da população à natureza e ao ambiente. A celebração não é apenas uma expressão cultural, mas também uma oportunidade para a comunidade apreciar e preservar o património natural, promovendo a consciência ambiental. 4. Memória Coletiva de Defesa Terrestre e do Património Natural: A origem histórica dos Fachos como elementos de defesa militar destaca a importância da memória coletiva associada à proteção do território e do património natural. Ao manter viva essa tradição, a comunidade reforça a consciência da necessidade de salvaguardar o meio ambiente e os recursos naturais. 5. Respeito pela Natureza e Desenvolvimento Sustentável: A celebração dos Fachos, ao ocorrer em locais naturais, promove implicitamente o respeito pela natureza e a importância do desenvolvimento sustentável. A preservação desses espaços naturais para a realização da festividade ressalta a necessidade de equilibrar as tradições culturais com a conservação ambiental. Assim, a manifestação dos Fachos não é apenas uma expressão cultural, mas também um elo valioso entre a comunidade e o património natural, promovendo a sua valorização, preservação e uma compreensão mais profunda da interligação entre cultura e ambiente.
Caracterização da relevância da manifestação do património cultural imaterial na sua relação com estudos cien ficos ou técnicos, com metodologias de pesquisa, com programas de informação e divulgação, ou com programas se sensibilização em curso com vista à salvaguarda da mesma;📝 Com observações
A manifestação dos Fachos na Freguesia de Machic...
A manifestação dos Fachos na Freguesia de Machico é de relevância significativa no contexto de estudos científicos e técnicos, metodologias de pesquisa, assim como em programas de divulgação e informação voltados para a salvaguarda do património cultural. Essa relevância pode ser abordada em vários aspectos: 1. Estudos Científicos e Técnicos: -História e Arqueologia: Os Fachos têm raízes históricas profundas relacionadas à defesa militar da região. Estudos científicos e técnicos podem focar na investigação arqueológica, analisando artefatos e estruturas relacionados aos Fachos para compreender melhor o contexto histórico e evolução da tradição. - Etnografia e Antropologia Cultural: A manifestação dos Fachos é uma expressão rica de cultura e identidade. Estudos etnográficos e antropológicos podem explorar as práticas, símbolos e significados associados aos Fachos, proporcionando insights sobre a dinâmica social e cultural da comunidade. - Engenharia e Tecnologia Tradicional: A construção dos Fachos envolve técnicas tradicionais que podem ser estudadas do ponto de vista da engenharia e tecnologia. A pesquisa nessas áreas pode revelar métodos específicos de construção e materiais utilizados ao longo do tempo. 2. Metodologias de Pesquisa: - Histórias de Vida e Entrevistas: A utilização de metodologias como histórias de vida e entrevistas com membros mais antigos da comunidade pode enriquecer a compreensão da tradição. Essas abordagens qualitativas podem capturar experiências pessoais e memórias associadas aos Fachos. - Estudos de Caso e Observação Participante: A aplicação de estudos de caso e observação participante permite uma imersão mais profunda na dinâmica da Festa dos Fachos. Essas metodologias podem revelar as interações sociais, os rituais e a transmissão intergeracional da tradição. 3. Programas de Divulgação e Informação: - Documentários e Produções Audiovisuais: Documentários como "Fachos - Tradição Secular" e "Fala-me dos Fachos" desempenham um papel crucial na divulgação da tradição. Programas similares podem ser desenvolvidos para ampliar o alcance e sensibilizar o público sobre a importância cultural dos Fachos. - Publicações e Livros: A criação de publicações, incluindo livros académicos e informativos, pode servir como ferramenta para disseminar conhecimento sobre a manifestação dos Fachos. Essas publicações podem abranger as diversas facetas da tradição, desde a sua origem histórica até a sua evolução contemporânea. - Participação em Eventos Académicos e Culturais: Integrar a tradição dos Fachos em eventos académicos e culturais, como conferências, seminários e feiras, promove uma maior visibilidade e permite a troca de conhecimentos entre especialistas, estudantes e a comunidade local. A manifestação dos Fachos serve, portanto, como um campo fértil para estudos interdisciplinares, contribuindo para a construção de conhecimento científico, a aplicação de metodologias de pesquisa diversas e o desenvolvimento de programas eficazes de divulgação e informação para a salvaguarda deste património cultural imaterial. Essa abordagem holística promove uma apreciação mais profunda e uma preservação sustentável da tradição.
🔍 Observação:
Neste campo devem ser identificadas e descritas ações concretas (já realizadas, em curso ou previstas) em torno da manifestação em análise, e não um apontamento generalista de eventuais potencialidades abertas nesta matéria. Sugere-se, assim, revisão do texto de acordo com o solicitado.
Caracterização da relevância da manifestação do património cultural imaterial na sua relação com a missão, visão, valores e vetores estratégicos da entidade requerente ou de outras etidades;
A manifestação dos Fachos desempenha um papel fu...
A manifestação dos Fachos desempenha um papel fundamental e intrínseco na missão, visão, valores e vectores estratégicos da Associação Cultural e Recreativa do Facho da Ladeira. Os estatutos da associação refletem um compromisso claro com a preservação e promoção do património cultural material e imaterial da Região Autónoma da Madeira, com ênfase no Concelho de Machico. A relevância da manifestação dos Fachos no contexto da associação pode ser caracterizada da seguinte forma: 1. Missão da Associação: A manifestação dos Fachos é integral para a missão da associação, que visa a preservação, fomento e consciencialização para o património cultural material e imaterial, especialmente no concelho de Machico. Os Fachos são reconhecidos como uma tradição inalienável à cultura Machiquense e Facheira, alinhando-se perfeitamente com o propósito fundamental da associação. 2. Visão da Associação: A visão da associação inclui o reconhecimento e a valorização das tradições, costumes e saberes associados à cultura local. A Festa do Facho, com a manifestação dos Fachos como elemento central, é percebida como uma parte integral e essencial da identidade cultural, contribuindo para fortalecer a memória coletiva e a ligação com as raízes históricas da comunidade. 3. Valores da Associação: Os valores da associação, como a preservação, a consciencialização, o respeito pela tradição e a defesa do património cultural, são todos incorporados na relevância atribuída à manifestação dos Fachos. Esses valores orientam as atividades da associação, garantindo que as práticas associadas à Festa do Facho sejam mantidas e transmitidas às gerações futuras. 4. Vectores Estratégicos da Associação: A Associação tem diversos vectores estratégicos, incluindo o desempenho da tradição associada à Festa do Facho, a promoção do conhecimento sobre o património cultural, a colaboração com entidades técnicas e a inclusão da Festa do Facho no património cultural imaterial. Esses vectores destacam a importância estratégica dos Fachos na missão mais ampla da associação. 5. Atividades e Protocolos: As atividades da associação, como a criação de uma plataforma de discussão, realização de eventos, cursos, conferências, e a divulgação de literatura e investigação científica, proporcionam oportunidades contínuas para destacar a manifestação dos Fachos. A inclusão da Festa do Facho nos objetivos da Convenção para a Salvaguarda do Património Cultural Imaterial reflete um compromisso mais amplo com a promoção e proteção desta manifestação cultural. 6. Juventude e Estilos de Vida Saudáveis: A promoção de estilos de vida saudáveis, em contacto com a natureza, no âmbito juvenil, está alinhada com a participação ativa dos jovens nas atividades relacionadas à Festa do Facho. A associação envolve os jovens em atividades socioculturais e recreativas, fomentando a continuidade e renovação da tradição. A manifestação dos Fachos, portanto, não é apenas um elemento da associação; é o fio condutor que conecta todas as atividades e objetivos, assegurando que a rica herança cultural da Freguesia de Machico seja preservada, apreciada e partilhada ao longo do tempo.
Caracterização da relevância da manifestação do património cultural imaterial na sua relação com as a vidades desenvolvidas, em curso ou projetadas, pela en dade requerente ou por outras en dades;📝 Com observações
A manifestação dos Fachos desempenha um papel ce...
A manifestação dos Fachos desempenha um papel central e estratégico nas atividades desenvolvidas pela Associação Cultural e Recreativa do Facho da Ladeira, bem como nas próximas edições dos Fachos, onde a associação continuará a colaborar. A relevância desta manifestação cultural na dinâmica da associação pode ser caracterizada da seguinte forma: 1. Identidade Cultural e Preservação Patrimonial: A manifestação dos Fachos é um componente vital da identidade cultural da Freguesia de Machico, e, por conseguinte, é central para a missão da associação de preservar, fomentar e consciencializar para o património cultural material e imaterial. A Festa do Facho, com os Fachos como seu ponto focal, é um elemento unificador que liga a comunidade à sua história e tradições. 2. Dinamização de Eventos e Atividades: A associação desempenha um papel ativo na dinamização de eventos culturais, desportivos e recreativos. A Festa dos Fachos é um evento emblemático que atrai a participação da comunidade, promovendo a coesão social e fortalecendo os laços entre os membros da associação. As atividades desenvolvidas em torno dos Fachos contribuem para a vitalidade cultural e recreativa da região. 3. Colaboração em Projetos Socioculturais: A associação não se limita apenas à promoção da Festa dos Fachos; ela também está envolvida em projetos socioculturais mais amplos. A colaboração em eventos e iniciativas relacionadas com os Fachos destaca o compromisso da associação em integrar esta manifestação cultural nas dinâmicas mais amplas da comunidade, envolvendo-se em esforços que transcendem as celebrações específicas. 4. Educação e Consciencialização: A realização de sessões de partilha de conhecimentos com escolas, envolvendo alunos do ensino básico, e sessões com estudantes universitários da área de história e cultura evidencia o papel educativo da associação. Os Fachos não são apenas celebrados, mas também são utilizados como uma ferramenta para educar as gerações mais jovens sobre a importância cultural e histórica da tradição. 5. Colaboração em Produções Audiovisuais: A produção de documentários, como "Fala-me dos Fachos", demonstra a capacidade da associação em utilizar meios audiovisuais para disseminar e documentar a tradição dos Fachos. Essas iniciativas contribuem para a promoção e preservação da manifestação cultural, ampliando o alcance para além das fronteiras locais. 6. Inclusão da Festa do Facho no Património Cultural Imaterial: A associação não apenas promove a inclusão da Festa do Facho no património cultural imaterial, mas também se empenha ativamente em colaborar com entidades técnicas, profissionais e governamentais para atingir esse objetivo. Essa ação demonstra a busca pela proteção e reconhecimento oficial da tradição dos Fachos. 7. Envolvimento em Atividades Juvenis: O incentivo ao envolvimento de jovens em atividades, socioculturais e recreativas, alinhadas com os objetivos da associação, destaca a preocupação em garantir a continuidade da tradição dos Fachos nas gerações futuras. O envolvimento da juventude contribui para a renovação e dinamismo da manifestação cultural. 8. Fortalecimento da Identidade e Memória Coletiva: A manifestação dos Fachos, quando integrada nas atividades da associação, fortalece a identidade e memória coletiva da comunidade. Ao participar ativamente na celebração e preservação dos Fachos, a associação contribui para o reforço do sentimento de pertença e orgulho cultural. A relevância da manifestação dos Fachos na dinâmica da Associação Cultural e Recreativa do Facho da Ladeira é, portanto, multidimensional, abrangendo desde a preservação da identidade cultural até à promoção de atividades que enriquecem a comunidade local. O compromisso contínuo da associação com os Fachos destaca-se como um dos pilares fundamentais das suas atividades e da promoção da riqueza cultural da Freguesia de Machico.
🔍 Observação:
Ao texto de cariz mais generalista que de momento se encontra presente neste campo, devem ser acrescidos exemplos de atividades, passadas ou em curso, que ajudem a compreender os esforços desenvolvidos na divulgação e salvaguarda da manifestação em apreço, promovidas pela Associação e/ou outras entidades atuantes. No campo Ações de Salvaguarda encontram-se elencadas algumas iniciativas que tendo já ocorrido poderão aqui ser inseridas.
Caracterização de eventuais ameaças à continuidade da prática e ou da transmissão da manifestação do património cultural imaterial;
Apesar da rica história e relevância cultural do...
Apesar da rica história e relevância cultural dos Fachos na Freguesia de Machico, existem algumas ameaças à continuidade da prática desta manifestação e à transmissão dos conhecimentos associados. Algumas das ameaças potenciais incluem: 1. Mudanças Sociais e Demográficas: O impacto das mudanças sociais e demográficas pode resultar em transformações na dinâmica da comunidade. O declínio populacional, a migração de jovens para áreas urbanas e alterações nos estilos de vida podem levar a uma diminuição do envolvimento na prática dos Fachos, afetando a transmissão intergeracional. 2. Perda de Interesse e Participação: À medida que as comunidades evoluem, há o risco de uma possível perda de interesse nas tradições antigas. A falta de participação ativa e envolvimento da comunidade, especialmente entre as gerações mais jovens, pode contribuir para a diminuição do apoio à prática dos Fachos. 3. Pressões Urbanísticas e Mudanças no Espaço Físico: O desenvolvimento urbano e as mudanças no espaço físico, como a urbanização e a pressão para a utilização de áreas tradicionalmente associadas à Festa dos Fachos, podem comprometer o local e a autenticidade das celebrações. Isso pode afetar negativamente a atmosfera única e o simbolismo ligado aos locais tradicionais de realização. 4. Redução de Recursos Financeiros: A realização da Festa dos Fachos e a preservação da tradição requerem recursos financeiros. A redução de apoios financeiros, patrocínios ou a falta de financiamento para eventos e atividades relacionadas aos Fachos podem impactar adversamente a organização e a qualidade das celebrações. 5. Desinteresse da Nova Geração: Se a próxima geração não se envolver ativamente na prática dos Fachos, a tradição pode enfrentar uma ameaça significativa. O desinteresse ou a falta de compreensão sobre a importância cultural dos Fachos podem levar à sua marginalização e, eventualmente, à extinção. 6. Influências Externas e Globalização: A crescente influência de tendências globais e mudanças culturais devido à globalização pode resultar em uma diluição das tradições locais. Elementos culturais globais podem competir com as práticas tradicionais, afetando a autenticidade e a singularidade da Festa dos Fachos. 7. Falta de Documentação e Registo: A ausência de documentação adequada, como gravações, fotografias, e registros escritos, pode prejudicar a preservação e transmissão da tradição. A falta de um registo formal dificulta a continuidade da prática e a compreensão dos elementos simbólicos e rituais pelos futuros participantes. 8. Falta de Reconhecimento Oficial e Proteção: A não inclusão da Festa dos Fachos em listas oficiais de património cultural imaterial pode tornar a tradição mais vulnerável. A falta de reconhecimento e medidas formais de proteção pode resultar em uma menor valorização da prática e na redução do apoio institucional. Para mitigar essas ameaças, é essencial implementar estratégias eficazes de salvaguarda, envolver ativamente as gerações mais jovens, promover a conscientização e o reconhecimento oficial, e adaptar a prática dos Fachos às mudanças sociais e culturais, preservando ao mesmo tempo a sua autenticidade e significado histórico.
Caracterização de ações de salvaguarda e valorização de que a manifestação do património cultural imaterial tenha sido ou seja atualmente objeto, por parte da en dade requerente ou por parte de outras entidades;
A tradição secular dos Fachos, intrinsecamente l...
A tradição secular dos Fachos, intrinsecamente ligada à identidade da Freguesia de Machico, tem sido alvo de múltiplas ações de salvaguarda, evidenciando um esforço coletivo para preservar e promover esta rica manifestação cultural. Dentre as iniciativas notáveis, destacam-se: 1. Candidatura a Maravilha da Cultura Popular: Os Fachos foram submetidos a uma candidatura para participar no concurso "Maravilha da Cultura Popular", uma iniciativa promovida pela RTP. Neste certame, os Fachos emergiram como os vencedores na edição que decorreu na Ilha da Madeira, recebendo um reconhecimento significativo a nível nacional. A câmara municipal de Machico desempenhou um papel crucial ao apoiar e promover esta participação, destacando a importância da tradição na cultura local. 2. Documentário "Fachos - Tradição Secular": Um documentário intitulado "Fachos - Tradição Secular" foi produzido pela Eduardo Costa Producoes Audiovisuais, como parte de um projeto desenvolvido pelo Mercado Quinhentista. Esta obra cinematográfica serve como uma valiosa ferramenta de registo e divulgação da tradição dos Fachos, proporcionando uma visão aprofundada da sua história, significado e impacto na comunidade. 3. Documentário "Fala-me dos Fachos": Outro documentário relevante, intitulado "Fala-me dos Fachos", foi realizado por Hugo Olim, com o apoio essencial da Associação Cultural e Recreativa do Facho da Ladeira. Este trabalho audiovisual não apenas destaca a tradição em si, mas também dá voz aos membros da comunidade, proporcionando uma perspetiva autêntica e local sobre a importância dos Fachos. 4. Sessões de Partilha de Conhecimentos com Escolas: O Núcleo Museológico do Solar do Ribeirinho foi palco de sessões de partilha de conhecimentos sobre os Fachos com alunos do ensino básico. Promovidas pela Câmara Municipal e com a participação ativa da Associação Cultural e Recreativa do Facho da Ladeira, estas sessões proporcionaram uma oportunidade única para as novas gerações se envolverem com a tradição, fortalecendo a ligação intergeracional. 5. Sessão com Estudantes Universitários: Estudantes universitários da área da história e cultura foram alvo de uma sessão especial dedicada a explicar e dar a conhecer detalhes sobre a tradição dos Fachos. O professor Ricardo Caldeira, da Universidade da Madeira, desempenhou um papel crucial, enriquecendo a compreensão académica e cultural da manifestação. 6. Criação de Livro Infantil: O município de Machico assumiu a responsabilidade de criar um livro infantil dedicado aos Fachos, contando com a ilustração de Rafaela Rodrigues. Esta iniciativa visa não só educar as crianças sobre a tradição, mas também incentivar o orgulho e a conexão emocional desde a mais tenra idade. Essas ações combinadas representam um esforço coeso e abrangente para salvaguardar a tradição dos Fachos, assegurando que esta manifestação cultural única continue a ser celebrada, compreendida e transmitida para as futuras gerações.
Documentação da relevância
Sim
Sim
Propriedade intelectual
Sim
Sim
Direito à imagem
Sim
Sim
Proteção de dados
Sim
Sim
Declaração de compromisso
Sim
Sim
Pedido elaborado por
Antonio Costa
Antonio Costa
Resumo do tratamento
Sem conteúdo
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